O valor de uma imaginação santificada
A. W. Tozer
Como todas as outras faculdades que nos pertencem, a imaginação pode ser bênção ou maldição, dependendo inteiramente de como é utilizada e da medida em que é bem disciplinada.
Todos têm em algum grau capacidade para imaginar. Este dom nos habilita a ver sentido nos objetos materiais, a observar semelhanças entre coisas que à primeira vista parecem tão diferentes entre si. Permite-nos saber coisas que os sentidos jamais poderiam dizer-nos, pois com ela somos capazes de ver, através das impressões sensoriais, a realidade que está por trás das coisas.
Todo avanço feito pela humanidade em qualquer campo começou com uma idéia à qual nada correspondia na ocasião. A mente do inventor simplesmente pegava fragmentos de idéias conhecidas e com eles fazia alguma coisa que, não só era totalmente desconhecida, mas também inexistia completamente na época. Assim, "criamos" coisas e, ao fazê-lo, provamos que fomos feitos à imagem do Criador. O fato de que muitas vezes o homem decaído emprega os seus poderes criadores a serviço do mal, não invalida o nosso argumento. Qualquer talento pode ser usado para o mal como para o bem, mas, não obstante, todo talento provém de Deus. Algumas pessoas que erroneamente confundem a palavra "imaginativo" com a palavra "imaginário", talvez neguem que a imaginação é de grande valor no serviço de Deus.
O Evangelho de Jesus Cristo não negocia com coisas imaginárias. O livro mais realista do mundo é a Bíblia. Deus é real, os homens são reais, e, real é o pecado, bem como a morte e o inferno para onde o pecado leva inevitavelmente. A presença de Deus não e imaginária, e a oração não é a indulgência de uma deleitável fantasia. Os objetos que absorvem a atenção do homem que ora, conquanto imateriais, são, contudo completamente reais; mais certamente reais, afinal se haverá de convir, do que qualquer objeto terreno.
O valor da imaginação purificada na esfera da religião está em seu poder de perceber nas coisas naturais sombras de coisas espirituais. Ela capacita o homem reverente a "Ver o mundo num grão de areia e a eternidade numa hora".
A fraqueza do fariseu do passado era sua falta de imaginação, ou, o que dá na mesma, sua recusa em permitir-lhe entrar no campo da religião. Via o texto com a sua definição teológica guardada com cuidado, e não via nada, além disso.
"Uma prímula à margem do rio era para ele uma prímula amarela, e nada mais." (Prímula: planta ornamental e medicinal da família das primuláceas)
Quando Cristo veio com a Sua esplendente penetração espiritual e com Sua fina sensibilidade moral, parecia ao fariseu um devoto de outra espécie de religião, o que Ele realmente era, se o mundo o tivesse tão-somente compreendido. Ele podia ver a alma do texto, enquanto que o fariseu só podia ver o corpo, e podia provar sempre que Cristo estava errado apelando para a letra da lei ou para uma interpretação consagrada pela tradição. O abismo que os separava era grande demais para permitir que coexistissem. Assim, o fariseu, que estava em condições de fazê-lo, entregou o jovem Vidente à morte. Tem sido sempre assim, e creio que assim será sempre, até que a terra se encha do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar.
A imaginação, visto que é uma faculdade da mente natural, necessariamente tem de sofrer por suas limitações intrínsecas e por uma inerente inclinação para o mal. Embora a palavra, como se acha na Versão do Rei Tiago (King James Bible), normalmente não signifique imaginação, mas simplesmente raciocínio de homens cheios de pecado; não escrevo com o fim de desculpar a imaginação não santificada. Bem sei que dela como de uma fonte poluída, jorraram correntes de idéias malignas que através dos anos têm levado os homens a um comportamento desordenado e destrutivo.
Contudo, uma imaginação purificada e dirigida pelo Espírito é coisa completamente diversa, e é o que tenho em mente aqui. Anseio por ver a imaginação liberta de sua prisão e recebendo o lugar que por direito lhe cabe entre os filhos da nova criação. O que estou tentando descrever aqui é o sagrado dom de ver, a capacidade de olhar além do véu e contemplar com maravilhado espanto as belezas e os mistérios das realidades santas e eternas.
A pesada mente presa à terra não dá crédito ao cristianismo. Permitindo-se-lhe dominar a igreja bastante tempo, ela o forçará a tomar uma destas duas direções: ou a do liberalismo, no qual achará alívio numa falsa liberdade; ou a do mundo, onde achará prazer desfrutável, mas fatal.
Mas pergunto se tudo isso não está incluído nas palavras do nosso Senhor, registradas no Evangelho Segundo João: "Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará cousas que hão de vir. Ele me glorificará porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar" (16:13, 14).
Possuir mente habilitada pelo Espírito é privilégio do cristão, sob a graça, e isto abrange tudo quanto venho tentando dizer aqui.
Este blog é destinado a todos que desejam um lugar comum de liberdade para reflexão da teologia, da fé, da igreja, do ministério e da vida cristã.
24 abril 2009
Você acredita na força do pensamento?

A pergunta me foi enviada assim:
Você acredita na força do pensamento? E algumas mensagens em “slides” de um “powerpoint” foram apresentadas...
Minha resposta: eu não! Definitivamente não posso e nem quero por engano ou ignorância acreditar na força do pensamento.
Somente acredito em Jesus Cristo e na Sua Palavra.
Porque como os “slides” mostraram, "um universo" tão impessoal não pode se unir para me conceder o desejo de um pensamento que nem verbalizo. Isto é uma mentira.
Só Deus é onisciente. Só Ele sabe e conhece todas as coisas. Só Ele sabe o que se passa em minha mente e no profundo da minha alma.
Uma coisa disse Deus, duas vezes a ouvi, que o Poder pertence a Deus.
Assim sendo, a verdade é que pensamento positivo é uma ilusão, uma fantasia, uma sensação falsa, um engano, uma doutrina espiritista de uma lógica equivocada que não pode trazer paz verdadeira a ninguém.
E é pecado acreditar na força do pensamento como tudo que é oposição à Palavra de Deus. Sim, é pecado e separa o homem de seu Criador. É preciso arrepender e confessar os pecados paar Deus. “Se confessarmos os nosso pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustíça.”
“Errais, não conhecendo as Escrituras nem o Poder de Deus.”
Amados (as); por favor, confira nas Escrituras (a Palavra de Deus) toda vez, julgando pela Palavra, qualquer mensagem como esta que circule seja na internete ou em qualquer meio de comunicação.
O crivo é a Verdade e a Verdade julga todas as coisas. A Verdade rejeita totalmente esta idéia de pensamento positivo e força da mente.
A Verdade é somente Jesus. Ele mesmo disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim.”
A Bíblia não ensina a força do pensamento positivo.
A Bíblia ensina e apresenta um Deus amoroso, pessoal, perfeito, todo poderoso que atende todo aquele que lhe clama com fé, que se importa com todos os detalhes da vida de um ser humano que que achega a Ele.
Na cruz do calvário Jesus Cristo derramou Seu sangue, foi sepultado e ao terceiro dia ressurgiu.
Ele disse: "Todo o poder me foi dado nos céus e na terra.” Prestou atenção? Todo o Poder!
“Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado."
Com muito amor, lhe escrevo, dizendo pois a Verdade em amor.
Josimar Salum
23/04/2009
Eu quero morrer!
Eu quero morrer!
Você me escreveu: "Eu quero morrer." Somente isto: "Eu quero morrer".
Fiquei aliviado, por que é melhor receber uma mensagem de alguém dizendo que quer morrer do que "eu quero me matar."
Sabe, muitas vezes também pensei e do fundo do meu coração também disse que queria morrer. Até hoje, de vez em quando, me escuto dizendo, eu quero morrer...
Mas, de fato, eu quero viver... Eu quero mesmo é viver!
E você tem milhares de motivos para querer viver também.
O Amor de Deus é a maior razão para você querer viver! O que Jesus Cristo fez na cruz, dando Sua vida por ti e por mim, e Sua ressurreição dentre os mortos... Oh! Que motivo extraordinário! Nosso coração deve ficar agradecido, mesmo um pouquinho que seja inicialmente, mesmo em meio a lágrimas, triztezas profundas e até dura depressão que Jesus venceu a morte com a morte e suportou a cruz pela Alegria que lhe estava proposta. Ele sabia: sofrimento, dor, humilhação, miséria, maldição, pecado, injustiça de todo o tipo hoje, mas pela alegria que Me está proposta foi suportar tudo isto, silenciosamente, é duro, mas tudo isto vai passar. Eu sempre digo com meus 45 anos de idade, que em 50 anos todos os meus problemas não existirão mais, nenhum deles, todos vão passar!
E se você parar completamente para observar cada detalhe de tudo ao seu redor, uma folha que cai da árvore, uma gota dágua que vagarosamente cai da torneira, enfim, observando milhares de detalhes, você vai ficar vislumbrado e vai querer viver, definitivamente.
Vai perceber que apesar de não entendermos todo o sofrimento que também permeia nossas vidas, tudo isto está sob o controle de Deus. Mesmo sendo corroído por um cancer, dilacerado pela tragédia, em dores excruciantes e em total desespero pela dor, sempre encontrei em leitos velhinhos e velhinas dizendo: Como é bom viver! Oh! Que visão perfeita! Eles, todos eles, mesmo vendo a Glória e a manifestação dos filhos de Deus, queriam viver!
Por que eu sei que todo o sofrimento não é ignorado por Deus? As crianças que falecem de fome, os guetos sujos de cidades que convivem com a violência na pior de suas versões.
Porque foi com sofrimento que Jesus nos trouxe cura e paz, foi morrendo que Ele nos deu vida eterna! Porque o sofrimento presente é algo tão passageiro e êfemero comparado com a Glória que há de vir! Dar importância exagerada às minhas dores presentes vai me roubar a verdadeira visão do que a vida é, mesmo desta vida que é passageira, e ofuscar meu futuro, uma eternidade onde não haverá mais dor e todas minhas lágrimas serão enxugadas pelo Senhor.
Você disse: Eu quero morrer! Eu desejo, de coração, que você diga comigo: Eu, eu quero viver!
"Não morrerei, mas verei a bondade do Senhor na terra dos viventes.
Josimar Salum
24/04/2009
Você me escreveu: "Eu quero morrer." Somente isto: "Eu quero morrer".
Fiquei aliviado, por que é melhor receber uma mensagem de alguém dizendo que quer morrer do que "eu quero me matar."
Sabe, muitas vezes também pensei e do fundo do meu coração também disse que queria morrer. Até hoje, de vez em quando, me escuto dizendo, eu quero morrer...
Mas, de fato, eu quero viver... Eu quero mesmo é viver!
E você tem milhares de motivos para querer viver também.
O Amor de Deus é a maior razão para você querer viver! O que Jesus Cristo fez na cruz, dando Sua vida por ti e por mim, e Sua ressurreição dentre os mortos... Oh! Que motivo extraordinário! Nosso coração deve ficar agradecido, mesmo um pouquinho que seja inicialmente, mesmo em meio a lágrimas, triztezas profundas e até dura depressão que Jesus venceu a morte com a morte e suportou a cruz pela Alegria que lhe estava proposta. Ele sabia: sofrimento, dor, humilhação, miséria, maldição, pecado, injustiça de todo o tipo hoje, mas pela alegria que Me está proposta foi suportar tudo isto, silenciosamente, é duro, mas tudo isto vai passar. Eu sempre digo com meus 45 anos de idade, que em 50 anos todos os meus problemas não existirão mais, nenhum deles, todos vão passar!
E se você parar completamente para observar cada detalhe de tudo ao seu redor, uma folha que cai da árvore, uma gota dágua que vagarosamente cai da torneira, enfim, observando milhares de detalhes, você vai ficar vislumbrado e vai querer viver, definitivamente.
Vai perceber que apesar de não entendermos todo o sofrimento que também permeia nossas vidas, tudo isto está sob o controle de Deus. Mesmo sendo corroído por um cancer, dilacerado pela tragédia, em dores excruciantes e em total desespero pela dor, sempre encontrei em leitos velhinhos e velhinas dizendo: Como é bom viver! Oh! Que visão perfeita! Eles, todos eles, mesmo vendo a Glória e a manifestação dos filhos de Deus, queriam viver!
Por que eu sei que todo o sofrimento não é ignorado por Deus? As crianças que falecem de fome, os guetos sujos de cidades que convivem com a violência na pior de suas versões.
Porque foi com sofrimento que Jesus nos trouxe cura e paz, foi morrendo que Ele nos deu vida eterna! Porque o sofrimento presente é algo tão passageiro e êfemero comparado com a Glória que há de vir! Dar importância exagerada às minhas dores presentes vai me roubar a verdadeira visão do que a vida é, mesmo desta vida que é passageira, e ofuscar meu futuro, uma eternidade onde não haverá mais dor e todas minhas lágrimas serão enxugadas pelo Senhor.
Você disse: Eu quero morrer! Eu desejo, de coração, que você diga comigo: Eu, eu quero viver!
"Não morrerei, mas verei a bondade do Senhor na terra dos viventes.
Josimar Salum
24/04/2009
09 abril 2009
Essa febre preocupa!
Essa febre preocupa!
Por Renato Vargens
A explosão evangélica no Brasil, bem como o crescimento numérico de parte dela tem sido caracterizada objetivamente pela satisfação direta de seus consumidores.
Ouso afirmar que a “livre concorrência” entre algumas destas comunidades cristãs, tem levado seus líderes a adotarem estratégias semelhantes às utilizadas por empresas de marketing que tem por objetivo final “comercializar” seus produtos no mercado. Na verdade, para estas a preferência dos fiéis determina a dinâmica dos discursos religiosos e das práticas a eles relacionados.
Como já escrevi anteriormente o Brasil nos últimos anos tem sido vitima de alguns apagões, os quais proporcionaram seriíssimos problemas a toda sociedade brasileira. No que tange ao Cristianismo, vivemos hoje um sério apagão teológico, onde os mais variados distúrbios doutrinários são observados. Unção do riso; unção do leão; unção do cachorro; unção do tombo, unção do toque do ungido; unção apostólica; unção da loucura, crentes de segunda classe; troca de anjo da guarda; arrebatamento ao 3º céu; festa dos sinais; night gospel song; sal grosso pra espantar mal olhado; maldições hereditárias; encostos; óleo ungido pra arrumar namorado; sessões do descarrego; “paipostolos”, coronelismo apostólico, música para o diabo, atos proféticos descabidos e burrificados, dentre tantas outras coisas mais, tornaram-se infelizmente marcas negativas dessa geração.
As praticas litúrgicas por parte da igreja evangélica brasileira fazem-nos por um momento pensar que regressamos aos tenebrosos dias da idade média, até porque, nesses dias, como no século XVI a mercantilização da fé, bem como as manipulações religiosas por parte de pseudo-apóstolos, se mostram presentes. Confesso que não sei aonde vamos parar.
Ao pensar nas aberrações descritas, sinto-me profundamente preocupado com os rumos da igreja brasileira. Até porque, em nome de uma espiritualidade burra, oca e egoísta, centenas de “pastores” movidos pela ganância e o poder, têm corrido desenfreadamente a procura de títulos cada mais aberrativos. Infelizmente a apostolização moderna tem feito de muitos destes, pequenos reis, os quais em cerimônias nababescas são coroados como tais.
A febre do gospel, o mercantilismo podre na vida de muitos, me enojam substancialmente. Há pouco soube por intermédio de um pastor amigo, que uma famosa cantora gospel, tinha no seu staff um travesti.
Sinceramente, não sei onde vamos parar. Sem sombra de dúvidas parte da igreja evangélica brasileira encontra-se gravemente enferma!
Confesso que não suporto mais o misticismo e dualismo promovido pelos gurus da batalha espiritual, não agüento mais ouvir as loucuras dos profetas da mentira, os quais escravizam o rebanho de Deus com heresias das mais hediondas, elaborando mapas, ungindo e urinando nos 04 cantos da cidade. Se não bastasse isso, profetas da pós-modernidade tem ensinado que Caim virou Vampiro, que estão se abrindo “portais dimensionais”, que existem lobisomens, dentre outras lendas e superstições absurdas.
Para piorar a coisa, tais práticas doutrinárias encontraram uma enorme aceitabilidade por parte da sociedade, e isto se deve ao fato de que as pessoas deste tempo, buscam desesperadamente por experiências e não a verdade.
Elas não querem pensar, querem sentir;
Não querem doutrina, desejam novidades;
Não querem estudar a Palavra, querem escutar testemunhos eletrizantes;
Não querem adorar, querem shows;
Não querem Escolas Bíblicas, querem circo;
Não querem o evangelho da cruz, desejam o evangelho dos milagres;
Não querem Deus e sim as bênçãos de Deus.
Infelizmente estamos vivendo um tempo de paganização, onde cultos se fundamentam em impressões e achismos. Na verdade, o que determina o sucesso do culto não é mais a Palavra, mas o gosto da freguesia. A igreja prega o que dá ibope, oferecendo ao povo o que ele quer ouvir. Esse evangelho híbrido anuncia Cristo juntamente com o evangelho do descarrego, da quebra de maldições, da prosperidade material e não da santificação, da libertação e dos decretos humanos.
Pois é, diante disto o que fazer?
1) Desconstruir o conceito de que vivemos em nosso país um genuíno avivamento. E para isso torna-se necessário que entendamos que:
· Avivamento não é a pregação de ênfases legalistas.
· Avivamento não é a manipulação do poder de Deus através de sensacionalismo.
· Avivamento não é a celebração de números extraordinários dos que entram pela porta da frente da Igreja.
· Avivamento não é um modismo ou uma ênfase exagerada de um determinado tópico.
· Avivamento não é colocar aquilo que chamamos de “sintologia” acima da Palavra de Deus.
· Avivamento não é uma invenção terrena e sim criação celestial.
· Avivamento não é descer a rua com um grande tambor; é subir ao Calvário em grande choro.
2) Confessar a Deus os nossos inúmeros pecados e arrepender-se do nosso comportamento hedonista e antropocêntrico.
3) Regressar a Palavra de Deus fazendo dela nossa única regra de fé e prática
Amados, acredito piamente que os conceitos pregados pelos reformadores precisam ser resgatados e proclamados a quantos pudermos. Sem sombra de dúvidas necessitamos desesperadamente de uma nova reforma, porque caso contrário corremos o sério risco de uma infecção generalizada.
Soli Deo Gloria
Por Renato Vargens
A explosão evangélica no Brasil, bem como o crescimento numérico de parte dela tem sido caracterizada objetivamente pela satisfação direta de seus consumidores.
Ouso afirmar que a “livre concorrência” entre algumas destas comunidades cristãs, tem levado seus líderes a adotarem estratégias semelhantes às utilizadas por empresas de marketing que tem por objetivo final “comercializar” seus produtos no mercado. Na verdade, para estas a preferência dos fiéis determina a dinâmica dos discursos religiosos e das práticas a eles relacionados.
Como já escrevi anteriormente o Brasil nos últimos anos tem sido vitima de alguns apagões, os quais proporcionaram seriíssimos problemas a toda sociedade brasileira. No que tange ao Cristianismo, vivemos hoje um sério apagão teológico, onde os mais variados distúrbios doutrinários são observados. Unção do riso; unção do leão; unção do cachorro; unção do tombo, unção do toque do ungido; unção apostólica; unção da loucura, crentes de segunda classe; troca de anjo da guarda; arrebatamento ao 3º céu; festa dos sinais; night gospel song; sal grosso pra espantar mal olhado; maldições hereditárias; encostos; óleo ungido pra arrumar namorado; sessões do descarrego; “paipostolos”, coronelismo apostólico, música para o diabo, atos proféticos descabidos e burrificados, dentre tantas outras coisas mais, tornaram-se infelizmente marcas negativas dessa geração.
As praticas litúrgicas por parte da igreja evangélica brasileira fazem-nos por um momento pensar que regressamos aos tenebrosos dias da idade média, até porque, nesses dias, como no século XVI a mercantilização da fé, bem como as manipulações religiosas por parte de pseudo-apóstolos, se mostram presentes. Confesso que não sei aonde vamos parar.
Ao pensar nas aberrações descritas, sinto-me profundamente preocupado com os rumos da igreja brasileira. Até porque, em nome de uma espiritualidade burra, oca e egoísta, centenas de “pastores” movidos pela ganância e o poder, têm corrido desenfreadamente a procura de títulos cada mais aberrativos. Infelizmente a apostolização moderna tem feito de muitos destes, pequenos reis, os quais em cerimônias nababescas são coroados como tais.
A febre do gospel, o mercantilismo podre na vida de muitos, me enojam substancialmente. Há pouco soube por intermédio de um pastor amigo, que uma famosa cantora gospel, tinha no seu staff um travesti.
Sinceramente, não sei onde vamos parar. Sem sombra de dúvidas parte da igreja evangélica brasileira encontra-se gravemente enferma!
Confesso que não suporto mais o misticismo e dualismo promovido pelos gurus da batalha espiritual, não agüento mais ouvir as loucuras dos profetas da mentira, os quais escravizam o rebanho de Deus com heresias das mais hediondas, elaborando mapas, ungindo e urinando nos 04 cantos da cidade. Se não bastasse isso, profetas da pós-modernidade tem ensinado que Caim virou Vampiro, que estão se abrindo “portais dimensionais”, que existem lobisomens, dentre outras lendas e superstições absurdas.
Para piorar a coisa, tais práticas doutrinárias encontraram uma enorme aceitabilidade por parte da sociedade, e isto se deve ao fato de que as pessoas deste tempo, buscam desesperadamente por experiências e não a verdade.
Elas não querem pensar, querem sentir;
Não querem doutrina, desejam novidades;
Não querem estudar a Palavra, querem escutar testemunhos eletrizantes;
Não querem adorar, querem shows;
Não querem Escolas Bíblicas, querem circo;
Não querem o evangelho da cruz, desejam o evangelho dos milagres;
Não querem Deus e sim as bênçãos de Deus.
Infelizmente estamos vivendo um tempo de paganização, onde cultos se fundamentam em impressões e achismos. Na verdade, o que determina o sucesso do culto não é mais a Palavra, mas o gosto da freguesia. A igreja prega o que dá ibope, oferecendo ao povo o que ele quer ouvir. Esse evangelho híbrido anuncia Cristo juntamente com o evangelho do descarrego, da quebra de maldições, da prosperidade material e não da santificação, da libertação e dos decretos humanos.
Pois é, diante disto o que fazer?
1) Desconstruir o conceito de que vivemos em nosso país um genuíno avivamento. E para isso torna-se necessário que entendamos que:
· Avivamento não é a pregação de ênfases legalistas.
· Avivamento não é a manipulação do poder de Deus através de sensacionalismo.
· Avivamento não é a celebração de números extraordinários dos que entram pela porta da frente da Igreja.
· Avivamento não é um modismo ou uma ênfase exagerada de um determinado tópico.
· Avivamento não é colocar aquilo que chamamos de “sintologia” acima da Palavra de Deus.
· Avivamento não é uma invenção terrena e sim criação celestial.
· Avivamento não é descer a rua com um grande tambor; é subir ao Calvário em grande choro.
2) Confessar a Deus os nossos inúmeros pecados e arrepender-se do nosso comportamento hedonista e antropocêntrico.
3) Regressar a Palavra de Deus fazendo dela nossa única regra de fé e prática
Amados, acredito piamente que os conceitos pregados pelos reformadores precisam ser resgatados e proclamados a quantos pudermos. Sem sombra de dúvidas necessitamos desesperadamente de uma nova reforma, porque caso contrário corremos o sério risco de uma infecção generalizada.
Soli Deo Gloria
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